Cara Assussora
Não tenha medo.Gostava de falar consigo não sobre o Albergue mas sobre outra coisa mas perdi o seu contacto.Estou muito contente porque ontem www.saturnias.blogspot.com
Podia-me enviar um mail pro saturniaman@yahoo.it ???
Para eu falar-lhe to tal assunto
Abracinhos e beijinhos
Esses momentos estranhos de eu sem eu. E outros momentos estranhos, relampagos de consciência, lembranças que vêm das profudenzas e sobem como boias à tona da mente. Foi num desses relâmpagos que te vi Mohamed caro amigo e colega. Vi-te aqui, vi-te numa mesa em alfama, vi-te como Albergue no Palácio da Ajuda. Ah e aquela morna ao penúltimo rei?
Quiz imaginar quem a fez, quiz ir ver uma peça de teatro que é muito mais do que uma curta metragem. Olha não fui. Se calhar tenho medo desses sem casa. Tenho medo de não ter casa e medo de ser velha. Se calhar não quero olhar para eles, ou pior, tenho medo que olhem para mim. Se calhar não...
Todos nós, de acordo com Walter Benjamim, momentos antes de acordarmos experienciamos o Instante.
Um breve momento em que não sabemos quem somos, onde estamos, como nos sentimos e o que temos que fazer.Só apenas após este instante começamos lentamente a “vestir” os papeis sociais que nos dizem por exemplo se somos pais, filhos, orfãos, empregados, desempregados, ricos, pobres ou sem-abrigo.
Consiga ser esta proposta um arremedo desse instante e uma oportunidade para uma muito desejada reflexão sobre o que normalmente entendemos do mundo.
Neste sentido A Arte saíu á rua num dia assim é uma manta de retalhos, de muitos e variados retalhos, como todos nós, criados pelos utentes das instalações da Associação dos Albergues Noturnos de Lisboa sita na Rua da Cruz dos Poiais nº 10 em parceria com a Crew Hassan que generosamente ou visionariamente disponibilizou este espaço.
A Associação dos Albergues Noturnos criada em 1881 é uma instituição privada que acolhe sem-abrigo onde lhes é proporcionado uma cama, duas refeições (jantar e pequeno almoço)e o acesso a instalações sanitárias além de um regular apoio e acompanhamento feito por parte de assistentes sociais.
A instituição contactou-me de modo a criar um espaço de interesses assentes na criatividade e dinâmicas de convívio.
Foi um processo irregular mas em que descobri que por desconhecimento e alguma insensibilidade normalmente se constroem muito rapidamente e levianamente opiniões estereotipadas sobre os sem-abrigo e sobre as razões que podem levar alguém a viver na rua. De resto porque não?
Há nos criadores de A Arte saíu á rua num dia assim valores, memórias, visões e em bruto algumas cordenadas para a formulação de políticas sociais que urgem serem pensadas evitando de uma vez por todas o síndrome do “coitadinho”.
A provar que não bastam cobertores e pão na vida de um homem esta exposição ilustra a vontade do Albergue e da Crew Hassan de dar voz a estas questões.
Questões dificeis e por vezes melindrosas ás quais por regra se foge e se cria uma carapaça de certezas. Agradeço portanto a todos os envolvidos na realização desta proposta pela sua generosidade e duvidas.

LX - Graffittis sobre a cidade
A zona da Grande Lisboa é uma das áreas mais ricas em graffitis. Tudo começou em Carcavelos, de onde são originários os melhores writers. A linha de Sintra é mais conhecida por aquilo a que se chama "destruição", ou seja os locais onde não é permitido pintar e que se encontram repletos de "bombings", rápidos e feitos a duas cores.
- os destaques vão para Carcavelos onde foi pintado o primeiro grande mural de graffiti. Degas ou Wise, e o seu grupo WCB, Exas, Youth e Mozaik, são os nomes que imperam, assim como Eith, Uber e a NCW.
- segue-se o "hall of fame" do Dafundo.
- em Carnaxide encontra-se um graffiti feito com a colaboração de uma crew francesa, NEM.
- na Damaia e Buraca impera Eith, um especialista em letras tridimensionais. E também, aqui, se encontra o maior graffiti de Portugal.
- S. Domingos de Benfica é exemplo de uma zona de destruição completa, ali podem encontrar as paredes cheias de "bombings".
- no "hall of fame" das Amoreiras, destacam-se Kreiz, Wise, Youth, Sire e Clas.
- em Belém, no parque de estacionamento, pode-se encontrar trabalhos de Mozaik, Clas e Piaf, esta última uma das poucas raparigas a fazer graffiti.
- Algés é liderado pelo surfista Stuck.
- O Bairro Alto é zona de destruição massiva, sobrando pouco espaço para escrever uma letra que seja no meio dos bomboings sobre bombings feitos à pressa e sem qualquer critério.
Quem quizer tintas vá a http://www.4graffiti.co.uk/







